Mas as bonitas - ou não tão desprivilegiadas assim, como queiram - também sofrem. Porque beleza, antes de por mesa, senta no sofá! Como assim, você trabalha lá? Nossa! Como você conseguiu? Espantam-se aqueles que só vêem a casca. Bonitinha, concluem. Se está ali é porque passou pelo teste do sofá, quiçá até pela cama. Pior mesmo é na entrevista, quando já se insinuam à mulher bonita, apresentando uma súmula dos assédios que virão depois de empregada. Mulher feia não tem isso. Se é feia, a mulher conquista o emprego por um fator simples e intrínseco à mesma: competência. Predicativo que é negado àquelas que, à primeira vista, fazem bem aos olhos. Não parece, mas mulher bonita sofre! Mais do que a feia, que tem alternativas para se fazer mais bem apessoada: uma maquiagem, uma roupa elegante (ou sensual), um salto (ou um sapatinho boneca fofo) e um cabelo bem penteado bastam para que as desprovidas de beleza conquistem seus lugares no pódio. Já às bonitas...O caminho, embora visualmente mais charmoso, é expressivamente tortuoso. A premissa do rosto bonitinho ou do corpo bem desenhado acaba com qualquer outra opção de elogio, de competências atribuídas às moças bonitas. Afinal, moça bonita é bonita. E ponto. É difícil convencer as feias de que mulher bonita não tem namorado, de que mulher bonita pensa! Mais oblíquo ainda é atestar às feias de que as belas não querem marido rico, família de comercial de margarina ou vestido de grife. Tem mulher bonita que detesta que mexam com ela na rua. As feias se assustam, pois muitas almejavam por esse dia. Talvez porque desconheçam o constrangimento de tal ato. Afinal, feia, normalmente, é coitadinha. Moça bonita jamais é coitadinha. Combina mais com soberba. Mesmo quando se está no fundo do poço.