segunda-feira, 25 de abril de 2016

Xeque-mate

Percebeu-se peça fora do tabuleiro. Teria o jogo a colocado para fora ou ela teria feito a jogada para cair fora? Quiçá as duas coisas. Sem jogadas ensaiadas e decoradas, sem as manhas manjadas, sem a técnica tão bem aperfeiçoada, sem as casas bem divididas, as peças e as regras, que, até então, faziam-lhe tanto sentido, desconfiguraram-se. Desfez-se a jogadora, fez-se a pessoa. Diante de um universo inteiramente novo, a dúvida apertava. Há vida além do tabuleiro? Lá fora o mundo a aguardava, com sua imensidão de possibilidades e combinações inimagináveis, pelas quais a prontidão tão exercida outrora, daria espaço para uma rotina de embaraços. Daria conta de laços e nós tanto quanto dava conta do quadrado em que se deslocava? Decretou xeque-mate às inquietações e fez sua última jogada ensaiada.

2 comentários:

  1. O improviso, por vezes, é a garantia da "vitória". Justamente por não estar nos planos do adversário, se é que há adversário!

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    1. É você Leo? O improviso faz bem! Saudade! :)

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Porque quem comunica se trumbica.