segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Meu verão


Sentados no sofá, ele chega mais perto de seu ouvido. Você está de verão, mas eu estou de inverno, mesmo no verão, sussurra. Ela o escuta e pensa naquelas palavras que soaram como melodia. Pensou no que ouviu e repetia para si mesma. Você está de verão, mas eu estou de inverno, mesmo no verão. Você está de verão, mas eu estou de inverno, mesmo no verão. Você está de verão, mas eu estou de inverno, mesmo no verão. Entendeu o que ele quis dizer.
Ela sempre radiante, com o sorriso fácil, com seu vestido leve, cabelos ao vento. Com ela tudo tinha mais brilho e ela tinha ciência de tal dom. E ele, mais centrado, o máximo que fazia era sorrir de canto ou morder os lábios quando algo lhe agradava. Deixava a leveza e seu brilho guardados. Seus raios eram vistos só aos poucos, na intimidade, demonstrados de maneira discreta, quase invisível. Não era expressivo como ela. Talvez por isso ele acreditasse que o verão era ela e não ele.
Enganava-se. Para ela, ele é quem estava sempre no verão, porque transformava a melancolia em obra de arte, a tristeza em beleza. A rotina em filme, a vida em espetáculo. Antes de deixá-lo, quis que ele soubesse. Você não vê, mas o verão é você.
Foto: Pablo Accorinti, o verão.

3 comentários:

  1. Lindo, Lari. E linda a foto do Pablito. E ele pode não perceber, mas o verão é ele mesmo. Sempre é! =)

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  2. Inverno nao tem fim, verao sim.
    Obrigado pelo carinho (isso sim que nao tem fim).

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Porque quem comunica se trumbica.